Planejamento e Controle Financeiro em Tempos de Crise

O momento atual de crise econômica e política vivida pelo Brasil infelizmente afeta toda a população brasileira, desde os trabalhadores de carteira assinada, autônomos, empreendedores, servidores públicos e aposentados, cada um de uma maneira diferente. Diante desta situação, o planejamento financeiro se torna um instrumento fundamental para o desenvolvimento financeiro e a sustentabilidade das famílias. Planejar o futuro financeiro familiar consiste no planejamento dos gastos, na formulação de estratégias de investimento e na utilização de ferramentas de controle.

Primeiramente, acerca do controle dos gastos, uma conta é básica: não se pode gastar mais do que se ganha. Para que isso não aconteça, é necessário realizar um controle diário de todas as saídas de dinheiro, desde o estacionamento do shopping até as despesas maiores como aluguel e parcela de financiamento de veículo. Muitas vezes pensamos que as despesas pequenas são irrelevantes no orçamento familiar, mas a soma delas pode ter um peso significativo no final do mês.

Em tempos de crise, a situação é ainda pior, pois os membros da família correm o risco de perder seus empregos. Portanto, é necessário não só gastar menos do que se ganha, mas cortar gastos considerados supérfluos com o objetivo de guardar dinheiro em um investimento financeiro, para emergências, que deverá variar de seis a nove meses de gastos familiares.

Se a família consegue gastar menos do que os rendimentos, ela tem um excedente de recursos, o qual deve ser aplicado. Portanto, é necessário buscar aplicações financeiras adequadas aos objetivos de vida daquela família. De acordo com a orientação da Comissão de Valores Mobiliários – CVM, as pessoas devem poupar por três motivos: (1) para emergências, conforme já falamos anteriormente; (2) para alcançar objetivos (viagens, cursos, compra de imóvel e carro); e (3) investir para ter um futuro tranquilo.

Todos sabemos a crise pela qual passa a previdência pública. Quem já trabalha e ainda não tem um plano de previdência complementar, está na hora de começar a investir nisso. Quanto mais cedo você inicia esse investimento, melhor será sua aposentadoria. Para juntar o dinheiro, diversos tipos de investimentos são válidos. A poupança atualmente é um investimento ruim, pois não cobre nem a desvalorização monetária decorrente da inflação atual.

Melhor investir em títulos públicos e fundos de investimentos em renda fixa. Quem for mais jovem pode investir 10% de seus recursos poupados em ações, lembrando que é um investimento de alto risco e de longo prazo, mas com possibilidades de retornos mais altos (é recomendável fazer uma capacitação antes de iniciar esse tipo de investimento).

É natural diante da crise a situação inversa, de se ter mais gastos do que ganhos, principalmente com a alta de preços decorrente da inflação. Se esta situação for constante, é necessário buscar cortar mais ainda os gastos (dependendo, se desfazendo de algum bem, como um veículo) e/ou buscar atividades que possam complementar a renda (vendas diretas, consultoria, entre outros).

Caso a situação seja decorrente de um endividamento anterior, procure negociar a sua dívida. Juros de cartão de crédito e de cheque especial são muito mais altos do que a de um empréstimo pessoal comum. Faça um planejamento financeiro e busque um único empréstimo com a mais baixa taxa de juros possível que cubra as outras dívidas. Neste empréstimo, busque parcelas que caibam no seu orçamento mensal, deixando o mesmo “no azul” e conseguindo poupar, ainda que seja pouco.

Uma das maiores dificuldades das famílias nos tempos atuais é conseguir uma ferramenta de controle financeiro adequada e de confiança. Um aplicativo no celular pode ser muito interessante, e existem vários deles, dentre os quais indico o GuiaBolso. É um aplicativo de confiança: com a sua autorização, ele contabiliza diretamente os dados de seu extrato de contas correntes e cartão de crédito, facilitando o controle, pois você não precisa redigitar tudo, e sim apenas reclassificar nas categorias de gastos (caso seja necessário) e acrescentar os gastos em dinheiro.

Valéria Saturnino