Os impactos culturais e tecnológicos no equilíbrio orçamentário – outubro

Desde o começo da sua vida até o final dela, direta ou indiretamente, você estará se relacionando com o dinheiro e este provavelmente será o relacionamento mais longo de sua existência.

Ao falar sobre termo finanças, a primeira coisa que se pensa é em dinheiro ou na administração dele. Praticamente todos os indivíduos presentes no globo terrestre, principalmente aqueles em idade economicamente ativa, gastam, investem, consomem ou poupam.

Apesar de sua relevância diária na vida de muita gente, estabelecer uma harmonia entre receitas e despesas, através de um planejamento que aumente o valor do seu patrimônio, ainda é um verdadeiro tabu para muitos. Desta forma, uma boa decisão financeira é aquela que resulta na compra de uma ativo que vale mais do que custa, ou que agrega uma taxa real positiva ao capital.

Assim, a educação financeira é um processo constante de aprendizagem que deve estar presente na rotina de todas as pessoas, em todos os lugares, principalmente pelo fato de gerar conhecimento e desenvolver a capacidade do ser humano para tomar decisões sobre os diversos aspectos da vida humana, inclusive aqueles afetos a questão do dinheiro.

Com o avanço da tecnologia e o processo de globalização, uma parcela significativa do tempo de vida do ser humano acaba sendo dedicada à busca pelo capital. Estes aspectos fizeram do homem um consumista de novos valores culturais que ao invadirem suas residências, seus locais de trabalho e suas mentes, provocaram um desejo ainda maior em obter produtos ou serviços dos mais diversos países.

A facilidade do acesso ao crédito, sem o conhecimento de como usá-lo,é um outro fator de desajuste financeiro da sociedade moderna. Ao tomar crédito, cria-se oportunidades para o indivíduo experimentar uma condição de consumo superior ao seu padrão social, gerando dívidas e descontrole orçamentário.

Segundo Gadotti*, “Fazer progredir alguém significa modifica-lo”, neste sentido o processo de internalização da educação financeira pelo sujeito, advém da compreensão de que este conhecimento proporcionará novos valores que resultarão em um novo saber, e que ao serem aplicados, otimizarão o processo de tomada de decisão financeira.

Em uma cultura onde muitas vezes o “ter” sobrepõe o “ser”, a conscientização da construção de um país promissor dependerá da maturidade população em estabelece prioridades financeiras, tomar decisões conscientes e autônomas e acumular patrimônio. Por isso a educação financeira é muito mais que registrar receitas e despesas. É parte de um estilo de vida, é viver em equilíbrio.

* Moacir Gadotti é professor titular da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo desde 1991 e o atual diretor do Instituto Paulo Freire em São Paulo.

Katharinny Bione
ONG Poupa Mais Brasil