A influência da educação financeira no consumo e na forma de poupar dos brasileiros

Se paramos para pensar, estamos envoltos em um mundo financeiro muito mais complexo que o das gerações anteriores.

No entanto, o entendimento deste “novo mundo” não se desenvolveu na mesma velocidade que as recentes opções de produtos financeiros disponíveis no mercado.

Seguindo este raciocínio, pode-se afirmar que a Educação Financeira é um fenômeno recente em nosso país. Não é hábito do brasileiro fazer planejamento financeiro, constituir poupança ou falar da administração do dinheiro, consequências estas advindas de uma instabilidade econômica ainda recente. Na década de 80, em uma economia sufocada pela inflação, guardar recursos e constituir ativos financeiros apresentava resultados pouco significantes e desanimadores.

Sobre tal instabilidade basta dizer que o Brasil mudou de moeda 8 vezes (1942 a 1994) e que 6 destas mudanças aconteceram em um intervalo de tempo de 20 anos. Períodos inflacionários colocam à deriva o planejamento da população, restringindo o desenvolvimento dos agentes econômicos e a capacidade de poupar recursos.

Como agravo, além dessa memória inflacionária, não há uma preocupação efetiva da sociedade em torno do tema. Frequentemente o planejamento financeiro é muitas vezes confundido com invasão de privacidade e não é debatido nas empresas, nas instituições de ensino e nem nas famílias, sem o exercício do hábito de elaborar o orçamento familiar, estabelecer objetivos comuns e metas individuais com a participação de todos os membros.

Pouco se percebe que entre os inúmeros benefícios que a Educação Financeira oferece, o principal deles é a possibilidade da ascensão social. Planejar e traçar um caminho mantendo o equilíbrio das finanças pessoais, preparando-se para os imprevistos, aposentadoria e para o bom uso do sistema financeiro, são ingredientes imprescindíveis na realização dos sonhos e das conquistas individuais que possibilitam a melhoria da qualidade de vida e bem-estar.

Com a crescente oferta de produtos financeiros, a popularização de inúmeros investimentos, o apelo ao consumo, os avanços tecnológicos e as transformações nas ofertas de crédito, é inquestionável a “necessidade” de educar financeiramente a população. Sua relevância pode ser explicada pelo que se convencionou chamar de “financeirização do capital” que, através da oferta de produtos financeiros variados e cada vez mais complexos, promoveu alterações significativas nos aspectos demográficos, sociais e econômicos da população nas últimas duas décadas.

É igualmente importante mencionar que em períodos de alta inflação o capital brasileiro era predominantemente físico, ou seja, bens móveis e imóveis. Nessa época, o acesso da população ao capital financeiro era basicamente a caderneta de poupança. Contudo, com a recente estabilização econômica do país, este capital físico deu espaço a inúmeras opções de capital financeiro adequáveis ao perfil e planejamento do indivíduo, tanto em termos de facilidade de acesso quanto em termos de maiores rentabilidades reais.

Hoje é possível investir o dinheiro poupado sem sair de cada através das plataformas dos bancos e corretoras de valores mobiliários, realizar pagamentos, fazer compras, transferir recursos, contratar empréstimos e efetuar diversas operações financeiras até pelo celular.

Neste contexto, é relevante desenvolver certas competências e habilidades financeiras que: (i) adequem os objetivos pessoais de curto, médio e longo prazo aos produtos disponíveis; (ii) promovam o consumo consciente, a formação de poupança e o planejamento financeiro; (iii) estimulem o entendimento das noções básicas de economia e o impacto dos juros e da inflação na vida cotidiana. Aptidões estas indispensáveis ao desenvolvimento da cidadania.

Assim, a principal finalidade da Educação Financeira é habilitar a população a lidar com o dinheiro que recebe de modo mais efetivo, sendo este um aspecto essencial na manutenção da confiança no sistema financeiro ao facilitar as decisões que teremos de tomar ao longo da vida, se dispusermos de informações adequadas e imparciais sobre o mundo financeiro que nos cerca.

Katharinny Bione